sexta-feira, 28 de junho de 2013

A Crônica do Gigante


Fabiana Oliveira

As manifestações que vem ocorrendo no Brasil estão deixando de cumprir com o seu papel inicial, o ideal de trazer as pessoas para as ruas para protestarem por um país melhor. Em Salvador, capital baiana, cidade onde ocorreram alguns protestos em apoio aos outros ocorridos nas principais cidades, o clima na população é de medo e cansaço.

O #vemprarua que aflorou o espírito de luta nos brasileiros, e em especial soteropolitanos, tem levado a população a uma reação contrária ao proposto. Nos dias em que são anunciados protestos em Sal
vador, como nesta quinta (27), as pessoas se esconderam em suas casas, temendo os engarrafamentos e o vazio nas ruas, além da violência gerada pelos confrontos entre manifestantes e polícia.

O comércio fechou mais cedo, as fachadas de vidro foram cobertas com tapumes, as atividades nos locais próximos do roteiro dos manifestantes acabaram mais cedo, e em alguns nem chegaram a funcionar. Quem não acompanhou as notícias do dia não entende o porquê do vazio, e quem acompanhou e se arriscou, sente o clima de guerra, com policiais de diversas patentes espalhados pelas ruas.

Os confrontos geralmente são causados por “uma minoria de vândalos”, que a imprensa brasileira faz questão de enfatizar. Aparentemente os detalhes dados pela imprensa, que massifica o assunto, e no popular “enche a paciência do público”, têm feito com que o “povo”, que deveria ir às ruas, prefira que as manifestações acabem.

Muitos brasileiros preferem protestar nas redes sociais, as manifestações são um dos assuntos de maior destaque, e é assim que essas pessoas evitam as balas de borracha, spray de pimenta, e as pedras que dão o caráter de guerra aos embates. Quem sai nas ruas por acaso, ou na volta do trabalho, acaba se sentindo numa guerra civil, e os que acompanham pela TV dizem estarem cansados de verem a mesma coisa.

A redemocratização vem sendo discutida, as passagens do transporte público foram reduzidas, e até mesmo a República foi afetada. Tem meios de comunicação tentando aparentar uma postura diferente, mas como dito anteriormente, massificando o público com discussões das quais muitos deles não entendem, brasileiros que não sabem o significado de PEC, e os que sabem se dividem entre os tais vândalos.
Já que o foco desta discussão é a cidade de Salvador, capital que pouco tem ganhado destaque na cobertura da imprensa nacional, exceto quando houve embates com a polícia, a luta está restrita aos que tem perfis nas redes sociais, ou ficaram sabendo das manifestações através dos colegas de faculdade, ou seja, os jovens.



Primeira manifestação em Salvador/ Foto: Rodrigo Santos

Aqui as manifestações ocorreram em sua maioria nos dias de jogos da Copa das Confederações, seria uma forma de protestar pelo amplo investimento do Governo na construção dos estádios, e pouco ou quase nada nos serviços públicos como saúde. Para alguns subentende-se que são apenas jovens buscando momentos de adrenalina, tentando ganhar status entre os amigos, ou aproveitando os feriados, e há aqueles que em entrevista opinam que o movimento é válido.

E nesse clima de final de Copa das Confederações no Brasil, com a seleção brasileira classificada para a partida final, a expectativa é para a vitória. Para alguns a vitória da seleção, e para outros a vitória das reinvindicações sendo atendidas, mas algo é certo #OGiganteAcordou. O Brasil está nas ruas, para vencer uma copa ou para vencer o descaso, #VemPraRua.


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